O abraço selou um acordo tácito. Miles, pungente, embalava os surruros que se arrastavam pela garganta, empurrados por um ímpeto que não se podia conter. Trocaram palavras de afeto. Talvez por medo de magoar o outro, talvez para não ferir a imagem condescendente que cada um fazia de si mesmo, num misto de carinho, pena, e vaidade inconfessável. Tudo permaneceria como sempre foi, prometeram, mas nada jamais seria como antes.
(Rio de Janeiro, 24 de setembro de 2004)